Pesquisa sugere que evolução favorece ‘sobrevivência do mais preguiçoso’

Se você tem um filho de mais de 30 anos que mal lava a própria louça e que está longe de levar uma vida independente, não precisa temer tanto. Pelo menos, é o que dizem cientistas. Um novo amplo estudo sobre gastrópodes e bivalves fósseis — tipos de moluscos — do Oceano Atlântico sugere que a preguiça pode ser uma boa estratégia para a sobrevivência de indivíduos e até de espécies inteiras.

Os resultados foram publicados nesta terça-feira, dia 21, no “Proceedings of the Royal Society B” por uma equipe baseada na Universidade do Kansas, nos EUA.

Analisando um período de cerca de 5 milhões de anos desde o Plioceno até o presente, os pesquisadores estudaram 299 espécies e mediram suas taxas metabólicas — isto é, a quantidade de energia de que essas espécies precisavam para viver suas vidas diárias. Eles descobriram, então, que taxas metabólicas mais altas são um preditor confiável para medir a probabilidade de extinção.

— Nós nos perguntamos: “seria possível saber a probabilidade de extinção de uma espécie com base na sua absorção de energia?” — lembra Luke Strotz, principal autor do estudo e pesquisador de pós-doutorado do Instituto de Biodiversidade e Museu de História Natural da Universidade do Kansas. — O que encontramos foi uma diferença marcante entre as espécies de moluscos que foram extintas nos últimos 5 milhões de anos e as que ainda estão por aí. As que foram extintas tendem a ter taxas metabólicas mais altas do que as que ainda estão vivas.